São Luiz do Paraitinga: a cidade que defende a cultura popular brasileira

Praia ou montanha?

Algumas pessoas têm sempre a mesma resposta para essa pergunta, outros, como eu, já respondem uma coisa diferente dependendo do dia. Coisa de perfil.

Mas recentemente fui convidado pelo Instaviagem a fazer algo que nunca havia feito: uma viagem surpresa. Fizeram uma análise do meu perfil, escolheram meu destino, organizaram minha viagem inteira e eu fiquei sabendo de tudo só dois dias antes de partir. Imagine!

Confesso que fiquei surpreso ao saber que minha viagem seria para a pequena São Luiz do Paraitinga, uma cidade do interior paulista com cerca de 10 mil habitantes. Mas não demorou para eu perceber o quanto o Instaviagem acertou em cheio no roteiro que me indicaram.

Mar de Morros em São Luiz do Paraitinga / Foto: Viagem’Grafia

São Luiz do Paraitinga é realmente um destino sensacional para quem gosta de cultura, geografia, história, sustentabilidade (tudo que o Viagem’Grafia gosta) e vou contar aqui porque já faço planos de voltar para lá.

Cultura Popular

 

Música

Já vi centenas de músicos em grandes cidades fazendo apresentações na rua, dentro de vagões de metrô e em locais de muito movimento para divulgarem seus trabalhos e ganharem um dinheiro. Mas quando vi pessoas tocando flauta enquanto andavam pelo centro de São Luiz, percebi que a relação da cidade com a música é muito forte. Também não é nada raro encontrar grupos de seresteiros que saem à noite com seus instrumentos, cantando e tocando, pelo simples prazer de fazer música para as pessoas da cidade ouvirem.

Mas foi enquanto eu comia um nhoque caipira num restaurante/café incrível (também de nome caipira: Mai será o Binidito), que eu percebi que São Luiz do Paraitinga não é só uma cidade de músicos, mas também uma cidade que valoriza muito o folclore nacional.

Ao lado da minha mesa, música ao vivo feita por clientes jovens que não se conheciam mas que, atraídos pelo som do primeiro violão, foram buscar seus instrumentos em casa para se juntar à música. Quase todas as músicas tocadas eram folclóricas. Demais, não?

Restaurante/Café cultural: Mai será o Binidito / Foto: Camila Castanheira

Folclore

Em tempos de Halloween, achei bonito ver que histórias do folclore brasileiro continuam muito vivas em São Luiz do Paraitinga. Há 15 anos que no dia das bruxas (31 de outubro) acontece na cidade a Festa do Saci – um evento com atividades para todas as idades, que defende a cultura popular brasileira e mobiliza toda a região.

Um muro da cidade / Foto: Viagem’Grafia

O saci é quase um mascote por ali. Além de ser tema de festa e estar em várias histórias da cidade, também aparece em graffitis, nos brinquedos das crianças e nos logos das lojas. E para entender como a cultura popular em São Luiz do Paraitinga é levada a sério, pense que a cidade abriga a sede nacional da “SOSACI” (Sociedade dos Observadores de Saci).

Personagens históricos

 

Mas se o Saci entra na história local como um personagem do folclore, a cidadezinha paulista também pode dizer que é terra natal de outros grandes personagens (reais) que fazem parte da história do Brasil. Veja quem são:

Aziz Nacib Ab’Saber

Foto: Viagem’Grafia

Foi um dos maiores geógrafos do Brasil e do mundo. Talvez ninguém tenha viajado e explorado nosso país como Aziz.  Mapeou nosso território e é quase impossível abrir um livro de geografia escolar que não tenha um mapa com o nome dele. Esse geógrafo incrível foi um dos primeiros a estudar os impactos ambientais causados pelo homem.

Oswaldo Cruz

Busto de Oswaldo Cruz / Foto: Viagem’Grafia

Cientista, sanitarista e médico brasileiro pioneiro no estudo de doenças tropicais. O dia 5 de agosto foi escolhido como dia nacional da saúde em homenagem a ele, que nasceu nesse dia.

Elpídio dos Santos

Maestro brasileiro famoso nos anos 50 e 60. Compôs boa parte da trilha sonora dos filmes de Mazzaropi.

 

Sustentabilidade

Além de defenderem a cultura e a identidade regional, foi interessante ver como muitos moradores de São Luiz do Paraitinga buscam e incentivam uma maior interação das pessoas com a natureza.

Na Pousada Araucária, onde fiquei hospedado, além de ver coelhos para todo lado, foi interessante ver placas indicando o nome e a origem de algumas árvores plantadas ali. Uma ideia simples, barata e que prendeu minha atenção. Com essas placas eu me dei conta que sei mais nome de prédios do que de árvores – algo estranho de notar.

Pousada Araucária / Foto: Viagem’Grafia
Pousada Araucária / Foto: Viagem’Grafia
Pousada Araucária / Foto: Viagem’Grafia
Pousada Araucária / Foto: Viagem’Grafia

Já na fazenda e ecopousada “Refúgio das 7 Cachoeiras” a ideia de conectar o homem com a natureza é ainda mais forte.

Por lá, nada de TV nos quartos. Nada de refrigerante nas refeições. Nada de wi-fi.

A proposta ali é levar o visitante para um tempo que nos relacionávamos com mais olho no olho e que tínhamos mais habilidade para ler, sentir e compreender a natureza.

Refúgio das 7 Cachoeiras / Foto: Viagem’Grafia
Refúgio das 7 Cachoeiras / Foto: Viagem’Grafia
Refúgio das 7 Cachoeiras / Foto: Viagem’Grafia
Comida ótima e um saci no Refúgio das 7 Cachoeiras / Foto: Viagem’Grafia

No Refúgio, a comida é feita em forno a lenha, panelas de barro e boa parte dos ingredientes vem da horta orgânica que eles mesmos cultivam. Durante a noite, a fogueira escuta as histórias, as lorotas e as risadas de todos que sentam em volta dela. Nos quartos, o cheiro de capim-santo. Nas janelas, vista para cachoeiras, jardins e para a serra.

O Refúgio não é um lugar para caixas de som, churrasco, cerveja e pagode com os amigos. A ideia lá é se desligar das redes e se conectar com as pessoas, contemplar o lugar e perceber o tempo em outro ritmo.

Incrível como um tempinho por lá já foi o suficiente para recarregar a bateria.

Mas você não precisa esperar sua bateria acabar para ir até lá, né?

Obrigado, Instaviagem!

 

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Outras atrações e curiosidades da cidade

  • São Luiz do Paraitinga é uma das cidades imperiais do Brasil;
  • A cidade é tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional);
  • O carnaval da cidade e a Festa do Divino (em maio) são coisa de outro mundo;
  • Casarões do período colonial, como o da Pousada Fazenda São Luiz, contam muito sobre a triste história do período escravagista no Brasil e na região;
  • As casas de Aziz Ab Saber, Oswaldo Cruz e Elpídio dos Santos são abertas para visitação.
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2 comentários em “São Luiz do Paraitinga: a cidade que defende a cultura popular brasileira

  1. AMEI A REPORTAGEM! AMO SAO LUIZ DO “PRAITINGA” JUSTAMENTE PELOS CASARÕES, “PESSOAR FINO DIMAIS” E A CULTURA

    1. São Luiz do “PRAITINGA” é mesmo demais! rs
      Obrigadão, Maria Aparecida !!!

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