Que tal parar de querer salvar o planeta?

Tive um professor que durante uma de suas aulas disse:

Seria mais fácil se nós tivéssemos 3 planetas. Um para viver, um só para extrairmos os recursos e outro só para jogarmos nosso lixo. Mas, como a gente tem um só, temos que aprender a fazer tudo isso no mesmo lugar se quisermos salvar esse planeta

Repeti essa fala dele muitas vezes, mas demorou bastante para eu ver como essa nossa ideia de salvar o planeta é estranha.

Veja, não dá pra negar os impactos ambientais negativos que estamos deixando no mundo, mas a gente precisa entender que não é a Terra que está em risco, nós é que estamos!

Somos nós que precisamos de condições ambientais muito específicas para continuarmos vivos. Somos nós as vítimas do nosso poder destrutivo. Já a Terra, ela sabe como cuidar de si, sabe lidar com mudanças e não vai deixar de dar voltas em torno do sol por causa das bobagens que a gente faz aqui.

A Terra viu erupções vulcânicas muito mais fortes e destrutivas que bombas atômicas e hoje, já nascem flores dentro das crateras de alguns desses vulcões, como na do Vesúvio, por exemplo. Esquecemos que este planeta tem uma capacidade de se regenerar e de se curar tão grande e tão além da nossa compreensão, que soa arrogante a ideia que ele precisa de nós para se salvar.

Uma árvore crescendo sozinha no Saara, que já foi um lugar cheio de bosques.  Foto: Viagem’Grafia

Então, a questão da conservação ambiental não se trata de heroísmo, mas de sobrevivência. E é importante que a gente vire o disco do heroísmo para sobrevivência, porque quando todos percebermos que é a nossa própria pele que está em jogo, a probabilidade de nos mexermos vai aumentar.

Mas por que estamos tão passivos?

Um dos motivos é que temos a tendência de querer ver para crer. Histórias de naufrágios, de furacões em áreas costeiras e incêndios em prédios, mostram como demoramos para levar a sério alertas de emergência, simplesmente por não acreditar que eles sejam reais. O problema de demorar para acreditar em emergências desse nível é que quando o perigo realmente chega, geralmente já é tarde demais para fazer alguma coisa.

Um outro motivo é que a gente acha que algumas coisas nunca vão acontecer com a gente. Mas a história está cheia de casos com sociedades avançadas que desapareceram do mapa por não aguentarem os impactos ambientais que elas mesmas causaram – os Vikings na Groenlândia e a história do que realmente aconteceu na Ilha de Páscoa são bons exemplos disso. E também existiram casos de sociedades que sumiram porque o planeta simplesmente resolveu soluçar e mostrar quem manda, como no caso do povo de Pompéia e o fim da civilização Minoica em Santorini.

Corpo modelado pelas cinzas do Vesúvio na cidade de italiana de Pompéia. Foto: Viagem’Grafia

Conclusão

Claro, que a gente não vai sair gritando por aí anunciando o fim dos tempos como se fossemos profetas do apocalipse, né! Não é isso! Mas nós já temos exemplos suficientes na história para saber o que dá e o que não dá certo, quando usamos nossos recursos de forma desenfreada.

E a lógica e a história mostram que se quisermos mesmo priorizar a permanência da nossa própria espécie neste planeta, não há outra forma que não seja a de agir com responsabilidade ambiental. Já o planeta, vai continuar na dele, com ou sem nós.

Crédito da foto inicial:
earth by Beth Scupham, on Flickr | CC BY 2.0
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