Pasteur-AMIA – A Estação da Memória em Buenos Aires

Essa é uma história triste que aconteceu aqui na nossa América do Sul.

Descer na estação de metrô Pasteur-AMIA, em Buenos Aires, é dar de cara com um dos episódios mais enigmáticos da história recente da América Latina.

A poucos quarteirões da estação de subte (forma que os portenhos chamam o metrô), aconteceu um dos maiores ataques terroristas do ocidente nos últimos 25 anos e que foi também o maior atentado contra judeus desde o fim da Segunda Guerra Mundial.  No dia 18 de julho de 1994, um carro bomba explodiu em frente à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), deixando centenas de pessoas feridas e 85 mortos.

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Nomes das vítimas do 18J na entrada da sede da AMIA em Buenos Aires.Foto: Viagem’Grafia

Por que um fato desse tamanho não repercutiu no Brasil?

O fato não ganhou grande repercussão no Brasil por um simples motivo: um dia antes do atentado, o Brasil ganhou a Copa do Mundo dos EUA. Enquanto o Brasil inteiro comemorava o tetra, a Argentina estava congelada e sem entender o que havia acontecido em sua capital.

Buenos Aires concentra uma das maiores comunidades judaicas do mundo e o apoio da Argentina aos EUA durante a Guerra do Golfo, juntamente com a decisão do governo argentino de suspender um acordo nuclear com o Irã, podem ter sido algumas das motivações para o ataque. O grupo Hezbollah é acusado de ter executado o ataque a mando do governo do Irã, mas o suposto envolvimento de políticos argentinos atrapalha a conclusão do caso. O buraco é mais fundo do que parece.

Vinte e três anos depois, nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do atentado.
Vinte e três anos depois, ninguém foi preso.

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Estação Pasteur-AMIA, Buenos Aires. Foto: Viagem’Grafia

A estação da memória

Mas mesmo depois de duas décadas, muitos argentinos lutam para que o caso não caia no esquecimento e nem termine sem solução.  E para combater a amnésia histórica, a estação de metrô Pasteur, além de ter recebido um novo nome, Pasteur – AMIA, agora tem em suas paredes e escadas, obras de artistas que relembram o fato que marcou a cidade e o país.

Por meio da arte, a estação é a única do mundo com um pedido de justiça permanente. É muito difícil descer ou entrar nessa estação e não ganhar um nó na garganta.

Foto: Viagem’Grafia

Tradução: “85 pessoas assassinadas, mais de 300 feridos e dolorosos anos de impunidade são as consequências do atentado terrorista que destruiu a sede da AMIA, em 18 de julho de 1994, às 9:53 em pleno coração de Buenos Aires.
O ataque deixou toda a sociedade de luto. Com grande esforço a AMIA se reergueu e atualmente desenvolve uma grande variedade de programas sociais, educativos e culturais que beneficiam a milhares de pessoas, colocando em prática os valores de diversidade, solidariedade e respeito pela vida.
Muitos dos que morreram esse dia, passaram por este lugar. A Estação Pasteur-AMIA é testemunha do que aconteceu e por isso é, naturalmente, um local de memória e de homenagem às vítimas.
Não queremos nada menos que a verdade, não exigimos nada mais que justiça.”

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Veja o vídeo abaixo e quando for a Buenos Aires, recomendo que passe por essa estação. Mais do que vista, essa história pede para ser lembrada.

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