A Nova Zelândia em 7 curiosidades que talvez você nunca tenha ouvido falar

É fácil lembrar da Nova Zelândia quando ouvimos sobre esportes radicais, rugby e filmes como “O Senhor dos Anéis” ou “O Hobbit”. Mas vou fugir dessas marcas e falar de sete detalhes curiosos e menos conhecidos deste país incrível do Pacífico. Aqui vão eles:

1- ZELÂNDIA

Bom, se existe uma NOVA Zelândia a gente deduz que exista também uma outra Zelândia e mais VELHA, não?

E realmente existe.

No sul da Holanda existe uma região chamada Zeeland (Terra do mar) e que geograficamente (pelo menos no recorte do litoral) se parece muito com o norte da ilha sul da Nova Zelândia. Veja nas imagens:

Holanda e a região Zeeland em destaque (Imagem: Wikipedia)

Norte da ilha sul da Nova Zelândia (Google Earth)

O primeiro europeu a encontrar a ilha do Pacífico, foi o navegador holandês Abel Tasman, que ao contornar a área circulada em vermelho no mapa acima, viu semelhanças com sua terra natal e definiu o lugar como uma nova Zelândia.

Mas antes dos europeus encontrarem a “nova” Zelândia, o povo maori já estava vivendo ali e já tinha dado o nome de Aotearoa (terra da longa nuvem branca) para sua terra.

Por isso o país mantém oficialmente dois nomes: Aotearoa e Nova Zelândia.

2- KIWI

A palavra kiwi é usada para se referir a quem nasce na Nova Zelândia. Poucas vezes ouvi alguém se chamar de neozelandês (ou new zealander) – todo mundo que nasce por lá simplesmente diz que é um kiwi.

Kiwi, na verdade, é o nome de um pássaro símbolo do país e é justamente por se parecer com essa ave que a fruta recebeu esse nome.

Uma ave desengonçada, sem asas, com hábitos noturnos e a única que possui narinas na ponta do bico. (Foto: Wikimedia)

A fruta é de origem asiática e era chamada de Chinese Gooseberry até a década de 60, quando a Nova Zelândia começou a exportá-la para os EUA com o nome de kiwi. A partir daí a fruta ganhou mais popularidade e ajudou a Nova Zelândia a se tornar um dos maiores produtores de kiwi no mundo.

Então em vez de dizer que os neozelandeses deram um nome para a fruta inspirados numa ave do país, podemos dizer que os kiwis nomearam o kiwi inspirados no kiwi.

3- LÍNGUAS E PRONÚNCIA DE PALAVRAS

Muitas cidades, ruas e rios da Nova Zelândia têm os nomes na língua  maori.

Embora alguns desses nomes sejam longos, nós brasileiros não encontramos grandes dificuldades para pronunciar palavras como Karangahape, Rangitoto, Maungakiekie – já que são nomes com muitas vogais. No entanto, as palavras escritas com “WH” (Whangarei, Whakatane, Whataroa) dificilmente são pronunciadas corretamente por qualquer um que não seja um kiwi, o que pode atrapalhar um pouco na hora de pedir uma informação, por exemplo.

Na verdade o problema não é a dificuldade na pronúncia, mas saber que “WH” em maori tem o som da letra F. Então, se você quiser chegar a Whangamomona é só perguntar por “Fangamomona”. Fácil, né?

Mas o inglês da Nova Zelândia também tem suas particularidades e pode confundir até mesmo quem já tem bom conhecimento no idioma. Isso porque a vogal “E” muitas vezes é dita como se fosse a vogal “I” e a vogal “I” muitas vezes é dita como se fosse a vogal “U”. Parece confuso, mas veja alguns exemplos:

Seven (sete) se pronuncia Sivin
Pen (caneta) se pronuncia Pin
Sex (sexo) se pronuncia Six … (cuidado com essa aqui)
Fish (peixe) vira Fush
Chips (batatinha) vira Chups

4- O ÚLTIMO LUGAR A SER HABITADO

Até o ano de 1280, nenhum humano tinha pisado nas ilhas do país. Em outras palavras a Nova Zelândia esteve intocada até o final do século XIII,  quando só então os polinésios chegaram por lá e formaram a sociedade maori.

Isso quer dizer que entre todos os países do mundo, a Nova Zelândia foi o último a ser habitado e talvez isso explique um pouco do impressionante estado de conservação da natureza encontrada por lá.

Mas o que é bastante curioso é que aborígenes vivem na Austrália há cerca de 50 mil anos e só souberam da existência da Nova Zelândia depois que os europeus chegaram com suas embarcações na região. Maoris e aborígenes foram vizinhos por muito tempo e um nem desconfiava da existência do outro.

5 – GRANDES KIWIS

Quatro kiwis inspiradores que você precisa conhecer:

Edmund Hillary – Junto com o nepalês Tenzing Norgay foram as duas primeiras pessoas que chegaram ao topo do Monte Everest, em 1953, no Nepal. E mesmo com a insistência da imprensa ocidental exaltando somente Edmund Hillary e deixando Tenzing na sombra desse grande feito, os dois alpinistas nunca quebraram o pacto que fizeram de dizer que chegaram ao topo juntos.

Edmund Hillary (que faleceu em 2008) dizia que o maior feito da sua vida não foi ter chegado ao topo do mundo, mas ter construído escolas e hospitais no Nepal.

O rosto de Edmund Hillary e o Monte Everest estão na nota de NZ$5,00 (Foto: Wikipedia)

Kate Sheppard – Em 1893, a Nova Zelândia foi o primeiro país onde as mulheres conseguiram derrubar leis que não lhes davam o direito de votar em eleições nacionais. Kate Sheppard viajou a Nova Zelândia inteira, bateu nas portas das casas, uniu pessoas do país para lutarem juntos(as) e abriu portas mais esperançosas para mulheres de todos os cantos do mundo.

Kate Sheppard (Foto Wikimedia)

Ernest Rutherford – É considerado o pai da física nuclear, foi o primeiro homem a dividir o átomo e recebeu o prêmio Nobel de química em 1908.

Ernest Rutherford (Foto Wikimedia)

Whina Cooper – Uma mulher que aos 80 anos começou, junto com mais 50 pessoas, uma marcha (hikoi) de 1000 quilômetros de Te Hapua no extremo norte do país, até a capital Wellington para protestar contra a venda e exploração de terras maoris. É considerada a “Mãe da Pátria” por muitos.

Whina Cooper (Foto Wikipedia)

6- FUNERAL

Tangihanga é o nome dado ao tradicional funeral maori que dura geralmente três dias. Mas o interessante é que mesmo depois do enterro, amigos e até familiares distantes ficam por dias ao lado das pessoas que viviam com a pessoa falecida.

Formam um grupo de acompanhantes que se revezam e fazem companhia 24 horas para as pessoas que estão mais tristes, sem deixá-las sozinhas de forma alguma durante os primeiros dias.

7- DIVERSIDADE NATURAL

Dizer que a Nova Zelândia é o país mais bonito do mundo é polêmico, já que cada um tem seu gosto e também porque todo canto do mundo tem belezas naturais muito particulares e impossíveis de se comparar. Mas é indiscutível que a natureza da Nova Zelândia deixa impressionado até o ser mais urbano e cosmopolita do planeta. E digo mais, provavelmente não exista outro país com tamanha variedade de paisagens num espaço tão concentrado.

Fiordes, dunas, cachoeiras, florestas com árvores milenares, geleiras, rios, campos enormes, lagos, montanhas nevadas, praias de areia branca ou areia preta, gêiseres, vulcões, cavernas, pontos de mergulho e tudo dentro de um território menor que o estado do Rio Grande do Sul. Incrível, não?

Rotorua (Foto Viagem’Grafia)
Em algum lugar a caminho de Wanaka (Foto Viagem’Grafia)
A caminho de Cape Reinga (Foto Viagem’Grafia)
Floresta Waipoua e árvores com mais de 2000 anos (Foto Viagem’Grafia)
Karekare, uma praia quase sempre deserta, fica a menos de 35 quilômetros de Auckland – a maior cidade do país. (Foto Viagem’Grafia)

Dizem por lá que você pode esquiar e surfar no mesmo dia … e é verdade.

Mas se até agora não consegui passar uma noção da diversidade natural da Nova Zelândia, imagine que durante uma caminhada que fiz sozinho numa praia do sul do país, vi na minha frente uma vaca e um pinguim.

Nunca imaginei que veria uma vaca e um pinguim ao mesmo tempo.

****

A mentalidade Kiwi

Nos anos que vivi por lá, a Nova Zelândia me mostrou inúmeras vezes que o país e grande parte dos seus habitantes se preocupam muito mais em cuidar e proteger sua natureza do que em encher os cofres e bolsos a qualquer custo. O resto do mundo tem muito a aprender com as prioridades da mentalidade kiwi.

Aqui algumas imagens da linda e tranquila Nova Zelândia, com o hino do país legendado e a primeira parte cantada em maori. Recomendo!

Compartilhe: