Ficamos mesmo mais inteligentes quando viajamos?

Alguns estudos dizem que uma pessoa fica mais inteligente ao viajar. Mas será que fica mesmo?

Vou dividir esse texto em duas partes. Primeiro, vou compartilhar algumas informações interessantes sobre a forma que o nosso cérebro trabalha para assimilar e formar ideias novas. Depois, vou amarrar tudo com o universo das viagens e dar minha versão de resposta para a pergunta do título.

Foto: Viagem’Grafia

PARTE 1- Como ganhamos novas ideias?

 

Nossa capacidade de concentração é extremamente importante quando queremos aprender algo novo, mas ao contrário do que muita gente pensa, não é só com foco e atenção que aprendemos as coisas.

Quando estamos concentrados, nosso cérebro analisa dados, números, linguagem e usa a lógica para compreender e dar sentido às informações. Mas depois de muito tempo de concentração, a gente sabe que a nossa atenção diminui e não conseguimos assimilar tudo como gostaríamos.

Vemos então, que precisamos de um descanso.

Mas o que é interessante, e que nem todos sabem, é que nossa criatividade e nossas grandes ideias nascem quando relaxamos e não quando estamos focados.

Você já deve ter percebido que grandes ideias lhe aparecem na cabeça em momentos que está realmente tranquilo –  seja durante uma caminhada, durante o banho, antes de dormir ou enquanto olha em silêncio para uma paisagem. Já notou?

Em outras palavras, seus insights não aparecem quando está debruçado num livro tentando entender o que ele quer dizer, mas quando para, respira, fica com o olhar vago e deixa o cérebro misturar livremente os dados e conhecimentos que ele já tem registrado.

Então, aprendemos quando estamos focados e também quando estamos relaxados. O segredo é alternar essas formas de aprendizado com frequência, porque as duas são fundamentais para a nossa saúde mental.

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Assistindo o mar da Croácia / Foto: Viagem’Grafia

PARTE 2 – O que isso tem a ver com as viagens?


Viagens geram expectativas e quando viajamos para um destino que por muito tempo sonhamos conhecer, a vontade de que tudo corra dentro do que foi sonhado e planejado, pode aumentar bastante nosso nível de stress.

Mas todos, absolutamente todos nós, queremos aproveitar nossas viagens ao máximo.

O problema é que a ideia de aproveitar ao máximo muitas vezes é considerada sinônima de que tempo parado é tempo perdido. E com a lógica, de que parar é um desperdício de tempo, o resultado muitas vezes acaba sendo uma pressa para encontrar tudo que foi planejado, fotografar tudo que aparece pela frente e tentar abraçar uma cidade inteira de uma vez.

Nos últimos anos, vi uma quantidade enorme de pessoas que sonharam a vida inteira em ver o Coliseu e quando o viram, tiraram centenas de fotos incríveis e depois foram embora atrás de outras coisas já planejadas para ver e fazer em Roma.

Claro, cada um faz o que quer e sente vontade. Não sou eu que vou dizer o que as pessoas “TÊM QUE” fazer. Mas dedicar um tempo parado em silêncio e, simplesmente observar o Coliseu, o Parthenon, o Cristo Redentor, ou seja lá o que for, não só faz a gente melhorar nossa conexão com o lugar como nos traz outro grande benefício:

“Será nessa pausa que seu cérebro trabalhará na formação de novas ideias, misturando os conhecimentos que você adquiriu ao longo da vida com a experiência inédita e lotada de sensações que estará vivenciando naquele exato momento”

Nessa pausa o cérebro fará associações e sua mente soprará insights que permanecerão na sua memória de um jeito duradouro, podendo até mesmo te trazer um pouco mais de claridade na forma como enxerga a própria vida.

Logo, quanto mais você investir (focar) na sua formação antes de viajar, maior será a compreensão daquilo que aparecerá na sua frente e quanto maior for sua capacidade de pausar e ficar em silêncio (relaxar) em determinados pontos da sua viagem, mais espaço você dará para sua imaginação, inspiração e criatividade aparecerem.

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Turistas indo de lá pra cá com suas câmeras em volta do Parthenon / Foto: Viagem’Grafia

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Conclusão

Eu não sei até que ponto quem diz que “viajar faz ficar mais inteligente” está advogando em causa própria, mas acredito que viajar não garante que alguém fique mais inteligente ou com mais autoconhecimento que antes.

Com o universo de novas informações que recebemos enquanto viajamos, nosso real aprendizado depende de como percebemos e processamos as novidades que encontramos. E isso requer tempo de observação para enxergar o lugar com olhos apropriados. Quando viajamos com pressa, corremos o risco de voltar da viagem com várias fotos novas e as mesmas ideias velhas.

Então prefiro dizer que viajar é uma OPORTUNIDADE para clarearmos nossos pensamentos, alcançarmos novas ideias e assim ficarmos um pouco mais inteligentes do que éramos antes. Uma oportunidade que pode ser bem aproveitada ou não.

Assim, é difícil cravar que ficamos mais inteligentes ao viajar. Tudo depende de como aproveitamos a oportunidade.

Por isso, quando viajar, observe, aprenda a relaxar e deixe que sua mente se encarregue de lhe trazer novas ideias. Você provavelmente já deve correr demais quando não está viajando.

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Este artigo foi postado pela primeira vez, pelo autor do Viagem’Grafia, no Dubbi.

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