Evite furtos e assaltos durante sua viagem usando técnicas pouco convencionais

A internet está lotada de boas recomendações e dicas de segurança para viajantes, mas gostaria de compartilhar aqui algumas ideias e técnicas comportamentais (não muito convencionais) que me ajudam a evitar problemas como furtos e assaltos durante minhas viagens.

Antes, é importante lembrar que por mais descolado que você seja e que por mais que você esteja adaptado ao lugar visitado, dificilmente você não será percebido como um turista pelos habitantes locais.

Seu jeito de falar, sua forma de se vestir, sua forma de andar, seu corte de cabelo, seu jeito de olhar as coisas da cidade, seus gestos e até mesmo suas expressões faciais são alguns dos exemplos que vão te denunciar como turista.

Além disso, outro detalhe que precisa ser considerado é que cada ambiente pede um comportamento diferente e a gente precisa perceber qual postura é a mais apropriada para cada momento. Lugares lotados possuem riscos diferentes de lugares vazios, então os cuidados também precisam ser diferentes.

Lugares com pouco movimento

Imagine a seguinte situação:

Você está sozinho(a) caminhando por uma viela vazia e de longe nota que uma pessoa caminha no sentido contrário, vindo na sua direção. Conforme a distância entre vocês diminui, sente que a pessoa que vem do outro lado não parece ser das mais amigáveis e que o risco de ser assaltado(a) existe. O que você faz?

Rua estreita / Foto: Pixabay

Bom, antes de falar o que eu faço numa situação dessas, lhe digo que se quiser uma chance de não ser assaltado neste caso, a única imagem que você não deve passar é de que está inseguro(a) – medo no ar é percebido fácil. Então,  o melhor a fazer é manter uma postura que faça a outra pessoa não te ver como uma potencial vítima. Mas como fazer isso?

A resposta passa pela linguagem corporal que você vai usar. Mas não pense que fazer cara de mau e forçar um andar de malandro vai enganar alguém.

O que costumo fazer é deixar bem claro que notei a presença da pessoa e mostrar que estou confortável com a presença dela ali, tendo comportamentos e fazendo gestos que dão sinais de indiferença.

Três técnicas para esse tipo de situação

1) Mudar a direção dos passos para uma linha mais próxima da direção que a pessoa está vindo na sua direção. Andar por alguns instantes como se fosse ao encontro dela antes dela vir ao seu. Quem está com medo, em vez de se aproximar, costuma se afastar e isso é deixar escancarado para a outra pessoa que você se sente indefeso e que está intimidado(a).

2) Olhar para qualquer lugar, menos para o chão – não abaixe seu queixo.

3) Virar um porco(a) e esqueçer as normas sociais de educação e higiene. Pense comigo: quem cutuca o nariz no meio da rua ou cospe no chão, não passa uma imagem de fragilidade e delicadeza, concorda? Existem zilhões de comportamentos nojentos, não preciso divulgá-los aqui porque isso não é segredo pra ninguém. O importante é escolher um.

Acredite, combinar esses três pontos com uma cara de pura indiferença, ajuda a transmitir a sensação de que você está confortável e seguro(a). Claro que fazendo isso você também vai ser visto como um porco(a), mas pelo menos será um porco seguro e confiante. Isso já é meio caminho andado para que não te escolham.

Bagagem abandonada / Foto Wikimedia

Lugares com muito movimento

Já locais movimentados pedem outros tipos de cuidado e estratégia. Lugares muito cheios são um prato cheio para ladrões de carteiras e, para evitá-los, só demonstrar segurança não surte muito efeito. É preciso fazer duas coisas óbvias, mas nem sempre fáceis de se colocar em prática:

1) Ser discreto e não expor o que você tem; e/ou

2) Demonstrar que está atento

Um jeito de demonstrar atenção é simplesmente escanear o ambiente inteiro e ver quem está ao seu redor. Dentro de um vagão de trem lotado, por exemplo, observe as pessoas que estão perto de você. Deixe as pessoas notarem que você as viu. Mas sem exageros.

Ficar virando o pescoço, o tempo todo, vai passar a sensação de preocupação e insegurança. Tudo que você não quer.

No entanto, sei que ficar alerta o tempo todo é muito difícil – caso você não seja um paranoico, claro. Por isso, além de proteger/esconder bem seus pertences, você também pode usar recursos que te alertem quando o risco surgir.

Prato cheio para ladrões de carteira / Foto Wikimedia

Como fazer isso sem precisar colocar uma ratoeira no bolso?

Uma técnica

Uma saída é colocar dentro do bolso uma sacolinha plástica embolada por cima da carteira. Claro que a sacolinha vai fazer volume. Mas se o ladrão quiser pegar sua carteira, ele vai ter que furtar a sacolinha primeiro ou deixar a mão pesada o suficiente para chegar até a carteira. Por mais que você esteja distraído, não tem como não sentir isso.

E por fim, é importante domar a curiosidade de viajante e botar freios para não entrar em furadas desnecessárias.

Confesso que demorei um pouco para aprender isso. E numa das incontáveis (incontáveis mesmo) vezes que minha curiosidade me levou para onde não devia, me vi sozinho num buraco controlado pela Camorra – a máfia napolitana. Ali não tinha linguagem corporal que desse jeito. Mas os dois homens que jogaram a scooter na minha frente, MILAGROSAMENTE, devolveram minha mochila e desistiram do assalto quando viram que eu vestia uma camiseta do time da cidade, com o nome do maior ídolo do clube: Maradona.

Antes de irem embora os dois me disseram que fui salvo pelo Maradona.

Agradeço o jogador argentino até hoje.

Um poster do Maradona na cidade de Napoli / Foto: Viagem’Grafia

Então, para aproveitar sua viagem sem ficar paranoico e ao mesmo tempo diminuir riscos, é muito importante conseguir “ler” os ambientes, saber como a banda toca no lugar, ajustar sua postura para a situação e prestar atenção nos seus hábitos.

E quando nada disso der certo, peça pra Deus colocar um Maradona no seu caminho.

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