Como usar os sentidos e aumentar as memórias de viagem

Você já imaginou como seria difícil fazer uma viagem para o lugar dos seus sonhos e não poder tirar fotos de lá?

Claro que não é a fotografia que faz a viagem, pois registrar um momento sem desfrutar dele, não faz sentido. Mas desfrutar de um momento sem poder registrá-lo parece um tanto cruel pelo seguinte motivo: ninguém gosta de perder boas memórias e as fotografias trazem à tona as nossas lembranças.

Mas o que ainda é pouco notado por muitos viajantes é que além das fotografias, dos vídeos e da escrita, existem outras formas de se registrar momentos para acessá-los no futuro. Na verdade, quase sempre nos concentramos somente na nossa memória visual e esquecemos que todos os nossos sentidos são capazes de formar memórias de um jeito bem particular.

Você já deve ter sentido algum perfume, escutado alguma música ou experimentado alguma comida que tenha feito você lembrar de alguém, não? Isso acontece porque o paladar, a audição e o olfato, assim como a visão, também podem nos trazer lembranças de pessoas, lugares, épocas do ano e, até mesmo, fases da vida.

Wikimedia

Porém, quase sempre nossas memórias não visuais são formadas sem a gente perceber, mas saiba que durante uma viagem você pode escolher ganchos, que como a fotografia, vão te ajudar a criar memórias. Aliás, souvenir significa lembrança e você não precisa comprar suas lembranças, você pode,  simplesmente, criá-las. Então, aqui vão algumas formas de como usar os sentidos a fim de criar e aumentar suas memórias de viagem:

Audição

Quando viajar para um destino novo, escute algo novo. Escute  músicas de algum cantor(a) ou banda que já ouviu falar mas que nunca tenha parado para escutar.

O que vai acontecer é que depois de anos, se você escutar as mesmas músicas novamente, o seu cérebro vai trazer à tona o que você estava fazendo e onde estava quando escutou aquela(s) música(s) pela primeira vez. Todas as vezes que vivenciamos uma experiência nova, nossos sentidos ficam mais aguçados e trabalham como antenas que captam o cenário e ajudam nosso cérebro a registrar a nova experiência em seu banco de dados. A primeira vez a gente nunca esquece, justamente porque nossos sentidos estão simultaneamente trabalhando a todo vapor quando vivenciamos algo novo.

Olfato

Use durante sua viagem algo que tenha um perfume novo para você e pare de usar esse perfume assim que sua viagem terminar – pode ser um shampoo novo, um desodorante, um sabonete ou até mesmo um gel de cabelo. E sem que você note, seu cérebro vai associar esse novo perfume a seus dias de viagem.

E, como no caso da fotografia e da música, todas as vezes que você sentir novamente esse mesmo cheiro de sabonete, shampoo ou perfume, o campo da memória olfativa vai ser acionado e te fará reviver algumas das sensações da viagem feita.

Paladar

Também durante sua viagem, coma algo que você não esteja habituado e experimente temperos e bebidas do lugar que você está conhecendo. Caso você goste de cozinhar, além de provar a comida local, tente anotar a receita para saber reproduzir aquilo no futuro e acionar a memória sensorial que seu paladar guardou.

Todos juntos

Imagine então, que além da fotografia você pode usar também músicas, perfumes, comidas e bebidas como ganchos para recordar experiências. E o mais interessante, é que essas memórias podem ser criadas de forma consciente e acionadas ao mesmo tempo de forma planejada.

Muitas vezes, ao rever uma fotografia que tirei numa viagem, escuto também a música que estava ouvindo no momento da foto, como o que estava comendo na hora da foto e cheiro o shampoo/perfume que estava usando durante a viagem – eu sei que é esquisito, mas eu tenho mesmo alguns shampoos guardados como souvenir de viagem. E embora seja aparentemente estranho fazer todas essas coisas juntas, a sensação de acionar 4 memórias ao mesmo tempo em vez de uma só é  quase a mesma de estar de volta ao lugar visitado … e digo quase porque para estar, de fato, no lugar recordado falta só o quinto sentido … o tato.

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Este artigo foi postado pela primeira vez, pelo mesmo autor deste blog, no Dubbi

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